Descoberto tratamento por controlo remoto que facilita e aumenta a sobrevivência de células transplantadas
Uma equipa de investigação do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC) descobriu uma formulação de nanopartículas que permitem libertar, através de um controlo remoto por luz, duas moléculas no tratamento de doenças isquémicas como o AVC.
img Miguel Lino

A descoberta, publicada na revista “ACS Nano” e resultante de um trabalho de cinco anos, contribui para o aumento da sobrevivência e proliferação das células endoteliais progenitoras transplantadas (que desempenham um importante papel na recuperação de doenças isquémicas como os Acidentes Vasculares Cerebrais).

“Este é o primeiro trabalho que descreve uma nanopartícula para entrega controlada de duas moléculas com um sistema ativável por luz (fotoativável), através de um laser com comprimento de onda próximo do infravermelho que permite uma maior penetração nos tecidos sem efeitos tóxicos e possibilitando o controlo remoto das nanopartículas”, descreve Miguel Lino, primeiro autor do artigo publicado na “ACS Nano”.

A possibilidade de fazer a ativação das nanapartículas (entidades minúsculas, que medem milionésimos de milímetros) por controlo remoto faz toda a diferença. O controlo fotoativável na libertação de mais do que uma molécula permite potenciar e modelar a atividade celular com maior precisão – aumentando a eficácia do tratamento. A nanoformulação apresentada pela equipa do CNC funciona como um “interruptor” de circuitos biológicos envolvidos na proliferação e sobrevivência das células endoteliais progenitoras (cuja transplantação contribui para a cicatrização e vascularização dos tecidos afetados pelas doenças isquémicas).

No estudo agora publicado, o princípio de funcionamento da nanoformulação foi demonstrado na cicatrização de feridas da pele em ratinhos. Contudo, as possíveis aplicações clínicas desta formulação de nanoparticula podem ser estendidas a outros órgãos e ao tratamento de doenças com terapias de combinação com múltiplas moléculas.
 
O estudo do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, financiado pelo European Reseach Council (Conselho Europeu de Investigação) e pelo programa “ERA Chair” em envelhecimento, foi coordenado por Lino Ferreira, líder do rupo de investigação Biomateriais e Terapias Baseadas em Células Estaminais do CNC e investigador coordenador da Faculdade de Medicina da UC, e contou ainda com participação das investigadoras Susana Simões, Andreia Vilaça, Helena Antunes e Alessandra Zonari.

22.10.18 - Miguel Lino, Rui Marques Simões & Adalberto Fernandes
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